13 de abril de 2020

Como será o mundo após a crise de 2020?

Por oflicampos

A única certeza que eu tenho hoje é que essa crise vai passar. O resto é puro achismo. Como e quando essa crise vai passar eu não arrisco um palpite, mas já consigo visualizar algumas mudanças grandes que estão acontecendo e devem permanecer após a crise. Por isso arrisco algumas previsões sobre como será o mundo após a crise.

Que crise é essa?

Estamos passando por duas grandes crises simultâneas. A primeira é uma crise de saúde, mais especificamente no sistema de saúde global, que não estava preparado para lidar com uma pandemia causada por um vírus de contágio tão rápido e fácil. A segunda é uma crise econômica, consequência da primeira e resultado principalmente das medidas adotadas pelas pessoas, empresas e governos para solucionar a crise no sistema de saúde.

Não vou entrar no mérito aqui sobre quais medidas acho que foram exageradas ou não, vou me limitar a falar sobre o que eu acredito que vai mudar no Brasil e no mundo quando essa crise passar, porque ela vai passar.

A crise no sistema de saúde vai passar primeiro e bem mais rápido. Depois a crise econômica também vai passar, mas em um prazo maior. E quando ambas passarem, o que eu acho que vai mudar? Como será o mundo após a crise?

Todos os setores da economia já estavam naturalmente se digitalizando antes da crise, principalmente na última década e com ainda mais força nos últimos anos. Portanto a digitalização já avançava em uma curva exponencial e a crise está forçando uma velocidade ainda maior nessa revolução. Por isso chego a conclusão que o mundo após a crise será um mundo extremamente digital.

Educação

A primeira coisa que pensamos quando falamos em educação é naquele modelo tradicional de ensino dentro de escolas, que é praticamente o mesmo há séculos: prédios enormes com várias salas espaçosas, dentro de cada uma delas um grande quadro negro na parede e dezenas de mesas e cadeiras enfileiradas. Se qualquer um de nós pudesse voltar no tempo, para o século XVIII por exemplo, o lugar que causaria menos estranhamento e mais conforto nessa viagem ao passado provavelmente seria dentro de uma escola, porque é uma das poucas coisas que praticamente não mudou nos últimos séculos.

Com a crise do Covid-19, hoje temos mais de 700 milhões de crianças sem aulas no mundo de acordo com a UNESCO, porque as escolas estão fechadas. Essa é a melhor oportunidade que o mundo moderno já vivenciou para mudar completamente a forma de ensino.

Para quem se interessa no assunto, recomendo assistir esses 2 vídeos abaixo:

Atualmente milhões de famílias estão em quarentena em suas casas, 24 horas por dia, 7 dias por semana, em todo o mundo. Com isso, muitas dessas pessoas, tanto crianças quanto adultos estão aproveitando esse momento difícil para aprender algo novo, ou aprofundar em algum conhecimento específico. Então as empresas que oferecem educação à distância devem se fortalecer muito. Portanto eu acredito que essa tendência, acelerada pela crise, deve se manter e continuar crescendo rapidamente.

Algumas empresas que estão se destacando no setor de educação:

  • Udemy: oferece mais de 100.000 cursos online com valores acessíveis.
  • Trybe: curso completo de programação onde os alunos só começam a pagar quando estiverem recebendo acima de R$ 3.500 por mês.
  • Eduk: mais de 2.000 cursos com valores acessíveis por assinatura.
  • Hotmart: marketplace de produtos digitais.

Medicina após a crise

Até então a telemedicina era restrita no Brasil, pois só era permitida em poucos casos específicos e emergenciais. Mas agora, durante a crise de Covid-19, uma resolução temporária permite o funcionamento da telemedicina de forma mais ampla no país. Portanto, com essa liberação, o segmento de telemedicina está se potencializando e acelerando no Brasil.

Algumas empresas que estão se destacando no setor de telemedicina:

  • Cuidas: startup brasileira com foco na atenção primária e parcerias com empresas (B2B).
  • Teladoc: gigante global em soluções de telemedicina.
  • Doctoralia: outro player global com atuação no Brasil.
Foto por Edward Jenner em Pexels.com

Mobilidade após a crise

A mobilidade vinha em uma curva acelerada de digitalização nos últimos anos antes da crise, com iniciativas como:

  • Uber: mais conhecido app de transporte hoje no mundo.
  • 99: concorrente brasileiro do Uber.
  • Buser: nova maneira de viajar de ônibus entre as cidades.

Essa revolução deve continuar após a crise. Porém durante a crise a maioria das pessoas está passando vários dias seguidos dentro de casa. Por causa da quarentena, famílias inteiras estão trabalhando de home office pela primeira vez e ao mesmo tempo, com os filhos dentro de casa. Portanto estamos experimentando uma espécie de imobilidade.

A crise está reduzindo drasticamente a mobilidade. À medida que as pessoas se adaptam a essa nova realidade, mesmo que temporariamente, se torna mais provável que parte dessa realidade se mantenha no longo prazo. Por isso acredito que após a crise muitas empresas se adaptarão e adotarão o modelo de teletrabalho (como fizemos no Méliuz) definitivamente, contribuindo para alguma redução na mobilidade urbana.

Foto por Kaique Rocha em Pexels.com

Comércio de bens e serviços

O comércio físico já vinha perdendo espaço para o comércio eletrônico. Com a crise, quem ainda não estava adaptado para vender pela internet está sendo obrigado a se adaptar rapidamente para sobreviver. Contudo, as empresas que sobreviverem serão empresas digitais após a crise.

Estão surgindo muitas iniciativas para ajudar nessa digitalização dos comerciantes, cito algumas abaixo:

  • EbanxBeep: plataforma muito fácil e acessível para prestadores de serviço e comerciantes começarem a vender online.
  • Petlove: transforma veterinários autônomos, clínicas veterinárias e petshops em ecommerces.
  • Rappi: app de delivery de tudo
  • ifood: app de delivery de comida
  • UberEats: app de delivery de comida do Uber